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quarta-feira, março 04, 2009

The Reader


... fez com que Kate Winslet, à sexta nomeação, ganhasse o Óscar para Melhor Actriz pela interpretação soberba e carismática de Hannah Schmitz: uma mulher fria, solitária, rude, directa, que assumia tudo sem problemas, menos o facto de ser analfabeta. Assustadora, quando pega num livro sem saber ler: páginas e páginas de palavras, um emaranhado de letras, sem qualquer significado.
Uma história tocante e inquietante em que o medo e a mentira imperam e levam ao próprio apagamento do ser humano. Genial. As interpretações de David Kross (Michael Berg na juventude) e Ralph Fiennes (MB na fase adulta) também merecem destaque.
Ao fim dos 123 minutos, saio da sala com a sensação de ter as lágrimas presas cá dentro: emoção à flor da pele.
Kate Winslet merece todos os prémios do mundo por este desempenho único. Quem tem dúvidas, basta ver o filme... A não perder.

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

Rescaldo dos Óscares


A 81ª cerimónia dos Óscares chegou ao fim à poucos minutos. Directamente do Kodak Theatre (Los Angeles), assisti a um espectáculo diferente do habitual com o glamour de sempre, mais dinâmico, mais divertido, sem tempos mortos. Hugh Jackman cumpriu na perfeição a sua função de anfitrião da noite.
Slumdog Millionaire foi o grande vencedor com oito estatuetas, incluindo as de melhor realizador (Danny Boyle), filme e argumento adaptado. Sean Penn e Kate Winslet foram distinguidos pelas personagens principais de Milk e The Reader, respectivamente. Quanto à nomeação póstuma de Heath Ledger (Melhor Actor Secundário), confirmou-se o óbvio e o Óscar foi mais do que merecido com a subida da família ao palco para o agradecimento, que emocionou a audiência. Penélope Cruz foi premiada pela tresloucada Maria Elena de Vicky Cristina Barcelona.
O grande derrotado da noite foi "O Estranho Caso de Benjamin Button", nomeado para treze categorias e vencedor apenas em três categorias técnicas: Efeitos Visuais, Direcção Artística e Caracterização. Wall E foi o melhor filme de animação e Jerry Lewis protagonizou um dos discursos mais curtos pelo Óscar da Carreira 2009.
As surpresas foram poucas ou nenhumas no que toca a vencedores. De salientar, o rejuvenescimento da cerimónia em si, tornando-se um verdadeiro espectáculo de televisão e entretenimento. Uma homenagem ao cinema com toda a pompa e circunstância que a sétima arte merece...

PS- Time to zzzz que a noite já vai longa...

sábado, fevereiro 14, 2009

Slumdog


... tem tudo para ser o filme do ano. Uma história simples com um argumento fabuloso, contada visualmente de uma forma espectacular numa sequência de imagens apelativas, que se entrenham na pele. As cores, a banda sonora e os sorrisos daquelas crianças não se esquecem tão depressa.
O retrato de um mundo cruelmente realista. Uma viagem à Índia profunda, uma visita guiada pelos subúrbios de Mumbai na companhia de Jamal Malik, um orfão de 18 anos, concorrente e candidato ao prémio máximo - vinte milhões de rupias - da versão indiana do concurso "Quem quer ser milionário". Cada uma das perguntas faz com que Jamal recorde um determinado episódio da sua vida desde a infância nas lixeiras em busca da sobrevivência até à pergunta final de qual é o terceiro mosqueteiro.
Uma fábula moderna que assenta na crença inabalável de que, por mais negra que seja a realidade, há sempre uma luz ao fundo do túnel, que torna os sonhos possíveis para quem não desistir de lutar por eles. Fabuloso... and the Oscar goes to...

terça-feira, fevereiro 10, 2009

MILK


... dá a conhecer a trajectória de Harvey Milk - o primeiro homossexual a ser eleito para um cargo público nos Estados Unidos dos anos 70 -, que lutou pelos seus direitos e pagou com a sua própria vida ao ser assassinado, juntamente com George Mascone (presidente da câmara de São Francisco) por alguém ressabiado, com receio de sair do armário. Mais do que um filme sobre os direitos da comunidade gay de São Francisco, onde se desenrola a acção, dos Estados Unidos ou do mundo, assistimos a uma luta contra o preconceito e a favor dos direitos humanos numa sociedade em que a premissa "todos diferentes, todos iguais" faz todo o sentido.
Sean Penn brinda-nos com uma interpretação majestosa de alguém que fez história, a sua coragem mudou vivências e moveu multidões. É notável o recurso às imagens da época, testemunhas vivas da realidade. A intolerância pôs fim à carreira ímpar de Harvey Milk aos 48 anos, acabando por não chegar aos 50, tal como refere num dos diálogos iniciais. Ironia do destino... ou não. O certo e sabido é que a batalha para a igualdade perdeu um grande líder.
Uma autêntica lição de vida que nos ensina a não deixar morrer a esperança, que nos fará lutar até ao fim por aquilo em que acreditamos... Vale a pena pensar nisto!

terça-feira, janeiro 20, 2009

O Estranho Caso de Benjamin Button


... é um filme que terá presença obrigatória na cerimónia dos Óscares deste ano, merecendo-a a todos os níveis. Uma história bonita e pitoresca sobre um homem, Benjamin Button (Brad Pitt), com um destino curioso: nasce com oitenta anos e vai regredindo na idade, sem conseguir, como qualquer outra pessoa, parar o tempo.
O que importa não é o tempo que se vive, mas aquilo que faz durante esse tempo, e essa moral passa lindamente para fora do ecrã. Os sentimentos deste personagem passam pelas confidências que partilha com o espectador ao longo de (quase) três horas. São as memórias de um diário de rejuvenescimento, o relato de imagens e das pessoas que vai conhecendo ao longo da vida - desde 1918 até à actualidade -, no que é também uma obra sobre os desígnios da idade. E aquilo que consegue sobreviver à passagem do tempo.
Brad Pitt e Cate Blanchett destacam-se pelas interpretações sublimes, impecáveis nas expressões faciais e no carisma natural, respectivamente. O trabalho de caracterização é louvável.
Uma das lições que podemos tirar de Benjamin Button é o quanto devemos saborear cada bom momento que temos na nossa vida. Aliás, o inexorável tempo é a questão central do filme, personificado no belo relógio cujos ponteiros andam em sentido contrário, feito por um pai desolado que gostaria de voltar no tempo e reaver o seu filho. Todos temos escolhas e o livre-arbítrio é uma das maiores armas de qualquer ser humano, pois viver em arrependimento é terrível e desnecessário; e esperar alguma coisa acontecer não leva ninguém a lugar algum. Muito pelo contrário.
O filme é detentor de um final espectacular e bastante emotivo. Imperdível.


As frases:

-We’re meant to lose the people we love. How else would we know how important they are to us?

(...)

- Our lives are defined by opportunities, even the ones we miss.

domingo, março 16, 2008

Fuga à rotina

... cinematográfica! Três filmes diferentes do habitual... cada um no seu estilo inconfundível!

Sedução, Conspiração de Ang Lee

... é um thriller erótico de espionagem, baseado no conto auto-biográfico da autora chinesa Eileen Chang, sobre a vida de uma inocente rapariga que se torna uma exímia espia entre 1938 a 1943, durante a ocupação japonesa da China. A duração é algo extensiva. As cenas tórridas são abundantes na medida em que o desejo faz mover toda a história. É um filme em que o olhar é substituído muitas vezes pelas palavras...

Merece ser visto por quem é fascinado pelo Oriente, mas a sua passagem pelas salas nacionais foi breve... Aguardemos pela edição em dvd.


... é um retrato da mulher em geral, realizado pela estreante Nadine Labaki, que também interpreta o papel principal. Dedicado à "sua" Beirute, é o primeiro filme libanês que não fala da guerra que o país vive, mas de pessoas, tentando mostrar como vivem as libanesas, entre o comportamento exigido pela sociedade, a religião e as suas próprias ideias.
O título suculento não foi escolhido ao acaso e é uma metáfora para a vida das cinco mulheres da história, cuja a acção tem lugar no salão de beleza «Si Belle», pouco antes da invasão israelita do Líbano. De idades e estados sentimentais variados, cada uma tem a sua particularidade. No seu conjunto, representam o mundo da mulher. Como é tradição no Líbano, fazem a depilação com caramelo, que vão provando antes de aplicar nas clientes. O caramelo representa a dualidade da vida das libanesas: tanto é um doce, como se transforma num pesadelo na altura da depilação.
Nenhuma das personagens é interpretada por actrizes profissionais: Nadine procurou mulheres normais para o elenco para dar mais realismo ao filme. Prova superada...
Uma agradável surpresa da sétima arte... e uma homenagem ao mundo feminino e seus meandros!


... foi nomeado para melhor filme na edição dos Óscares deste ano, mas não passou disso apesar de ter merecido mais. Juno é uma adolescente de 16 anos, interpretada pela jovem actriz Ellen Page, que engravida acidentalmente como resultado de uma relação de paixão de escola, que cresce com o desenrolar da história e ganha grandiosidade nos momentos finais. Como não se sente preparada para ser mãe tão jovem, nem está disposta a acabar com uma vida inocente, Juno resolve servir de barriga de aluguer e dar a criança para adopção a um casal simpático que esteja disposto a amá-la e a fazer tudo aquilo que ela não se sente capaz de fazer. A dado momento, apercebe-se que está a lidar com coisas maiores do que a sua maturidade.
Um filme cativante e inocente que nos faz regressar à adolescência durante hora e meia.

quarta-feira, janeiro 30, 2008

Barrigada...

... de filmes: 4 numa semana.


Um bom argumento, baseado em factos reais, interpretado por óptimos actores: Tom Hanks (Charlie Wilson), Julia Roberts e Seymour Hoffman. Uma lição de história e de bom cinema: explica a mecânica que levou ao apoio dos Estados Unidos à guerrilha afegã nos anos 80, fornecendo-lhes material militar capaz de derrubar helicópteros e aviões, o que mudou o curso da guerra e levou mais tarde à retirada do exército soviético. Filmes como Pearl Harbour pertencem ao passado glorioso da história da América.

"These things happened. They were glorious and they changed the world... and then we fucked up the endgame." by Charlie Wilson, himself


Depois do mítico "Os Imortais", António-Pedro Vasconcelos lança mais uma pedrada no charco do cinema português: Call Girl é uma intriga policial, aproximando a ficção da realidade através de ingredientes como política, extorsão, corrupção e sexo. Um elenco de luxo, destacando-se as performances de Nicolau Breyner (o autarca corrompido), Ivo Canelas (o polícia honesto que venera a expressão: "Sabes o que é estar f....!?!? tu estás tão f....!"), Vírgilio Castelo (uma individualidade do governo bastante semelhante à realidade) e Soraia Chaves, que se entrega de corpo e alma à femme fatale Maria, o chamariz do filme para "homem entreter". Joaquim de Almeida faz melhor figura pelas Américas e é o pior do filme...


Já tinha saudades de sair da sala de cinema com a sensação de ter visto um filme a sério, daqueles mesmo bons. Expiação (no original Atonement) conta uma história aparentemente banal de uma forma interessante: o amor "secreto" de dois jovens (Keira Knightley e James McAvoy) de mundos diferentes (ela vive num palácio e ele é o filho da governanta), na Inglaterra dos anos 30, cuja a noite em que se encontram é a mesma em que se separam (para sempre) devido a uma acusação infame de pedofilia... Os tons de melodrama convencional dissolvem-se na forma como a música se encadeia com a acção e nos diversos flashbacks com a câmara a transmitir olhares divergentes sobre o mesmo acontecimento. Um belo filme na corrida aos Óscares...

Uma desilusão se tivermos em conta os últimos contributos cinematográficos de Woody Allen... Desaconselho a perda de tempo.