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quinta-feira, junho 11, 2009

Comédias Pipoca

O calor começa a apertar e as estreias cinematográficas deixam de surpreender. Por vezes, aparece um ou outro filme que nos leva a considerar uma ida ao cinema, longe de ser o programa preferido em dias de sol abrasador e termómetro acima dos 30º graus.
Jack e Miri fazem um porno e És o maior, meu! (o título original I love you, man!) são as típicas comédia-pipoca, levezinhas mas não disparatadas, que dispõem bem com direito a gargalhadas pelo meio. As histórias envolvem casais apaixonados, podendo servir de inspiração ao tempo da frol que atravessamos...


Jack (Seth Rogen) e Miri (Elizabeth Banks) são amigos de longa data e companheiros de casa, atulados em dívidas, que decidem fazer um filme pornográfico, acabando por mudar as suas vidas para sempre. Moral da história: a "tal" pessoa pode estar mais perto do que imaginamos...


Peter Klaven (Paul Rudd) fica noivo de Zooey (Rashida Jones), a mulher dos seus sonhos, mas apercebe-se que não tem nenhum amigo a quem possa pedir para ser seu padrinho de casamento. As peripécias sucedem-se ao longo dos bizarros encontros com homens até conhecer o divertido Sydney Fife (Jason Segel). Não há bela sem senão: a relação com Zooey começa a ressentir-se à medida que a ligação entre os dois se começa a desenvolver...

sábado, maio 23, 2009

Sábado cinzento

O tempo chove-não-chove estava mesmo a pedir algo que não fazia à algum tempo: ir ao cinema. Confesso que já tinha saudades de me sentar na sala escura e deixar-me levar pela história... E que história: Gran Torino, realizado e protagonizado por Clint Eastwood. Uma obra-prima como já não via à algum tempo na sétima arte e posso dizer que sai da sala com uma sensação maravilhosa: as duas horas mais bem empregues do meu dia. Afinal, cinema à séria é coisa que não tem abundado nos últimos tempos.


Um filme que vale a pena ver pelo desempenho carismático de Clint, pela história de uma amizade inesperada, pela lição de humanismo que dá a quem o vir, pelas emoções que nos transmite, pela proximidade das personagens ao espectador, pela forma como nos toca, pela actualidade e realidade que retrata - a personagem de Clint (Walt Kowalski) sente-se um estranho no seu próprio bairro devido à invasão de imigrantes de todas as cores e crenças, acabando por encontrar nalgumas dessas pessoas o consolo que a sua prória família não lhe dá.
O final é comovente e confesso que rolaram lágrimas enquanto a ficha técnica subia no ecrã, ouvindo o sussurrar de Clint enquanto intrepretava a canção-tema do filme (lindo!). Ali fiquei sentada a pensar, a recompôr-me durante uns segundos, que viraram minutos, a digerir o que tinha visto, a reunir forças para me levantar e sair para a realidade que me esperava cá fora.

domingo, abril 05, 2009

Marley & me


Depois de me ter deliciado com a leitura do livro, não podia deixar de ver o filme. Como seria de esperar, o primeiro é mais rico do que o segundo, com mais pormenores e situações que não são mencionadas no grande ecrã. O essencial está lá...
Uma lição de vida, que nos transporta para um autêntico looping emocional de arrancar gargalhadas e soltar lágrimas de tristeza perante esta história verídica que tem como protagonista um labrador. O doce cãozinho, Marley (em homenagem ao grande Bob Marley), revela-se um autêntico furacão e transforma por completo a vida do recém casal Grogan, John (Owen Wilson) e Jennifer (Jennifer Aniston). As peripécias sucedem-se e Marley não é só o pior cão do mundo - irrequieto, destruidor e desobediente -, mas também o verdadeiro amigo e companheiro da família, que acabou por se render aos seus encantos. O lado dramático não deixa de marcar presença, associado à relação de Marley com os seus donos, sobretudo na decisão final de "pô-lo a dormir". A última cena de Marley é tocante: com os seus olhos fixos no dono e em nós (espectadores), enquanto os fecha gradualmente e lhe agradece por tudo, inclusivé por o deixar partir. As lágrimas escorriam-me pela cara abaixo e a sala (em peso) fungava, tirando uns miúdos insensíveis que não devem ter percebido a mensagem que Marley era mais do que um cão para aquela família... O melhor e fiél amigo de todas as horas tinha partido e não ia voltar. Só quem já tenha passado por isso sabe dar o devido valor.


Um conselho: leiam o livro e deixem que Marley entre pelas vossas vidas, divirtam-se com as suas trapalhadas e comovam-se com esta ternurenta história de amizade e cumplicidade entre seres de diferentes espécies. Garanto que não se arrependem. O filme vem apenas completar o imaginário literário de cada um. E mais não escrevo porque perderia toda a piada...

quarta-feira, março 04, 2009

The Reader


... fez com que Kate Winslet, à sexta nomeação, ganhasse o Óscar para Melhor Actriz pela interpretação soberba e carismática de Hannah Schmitz: uma mulher fria, solitária, rude, directa, que assumia tudo sem problemas, menos o facto de ser analfabeta. Assustadora, quando pega num livro sem saber ler: páginas e páginas de palavras, um emaranhado de letras, sem qualquer significado.
Uma história tocante e inquietante em que o medo e a mentira imperam e levam ao próprio apagamento do ser humano. Genial. As interpretações de David Kross (Michael Berg na juventude) e Ralph Fiennes (MB na fase adulta) também merecem destaque.
Ao fim dos 123 minutos, saio da sala com a sensação de ter as lágrimas presas cá dentro: emoção à flor da pele.
Kate Winslet merece todos os prémios do mundo por este desempenho único. Quem tem dúvidas, basta ver o filme... A não perder.

Notas soltas...

As semanas passam... Entramos no mês da Primavera, mas o tempo cinzento, ventoso, feio e chuvoso não dá tréguas. Os dias de sol não passam de uma boa recordação e ajudaram a levantar a moral na semana passada. Eis que no fim-de-semana tudo se toldou e voltamos a ser fustigados pelas intempéries da época. Oxalá que a Primavera chegue no dia certo e traga mais ânimo a um país que vive mergulhado na crise. Até lá... espero que a inércia não tome conta de mim.
...

Em Fevereiro, fui matar saudades do teatro. Em cena no Politeama, o musical West Side Story ("Amor Sem Barreiras") soube a pouco e não convence com uma história dramática com reminiscências do grande clássico de Shakespeare de "Romeu e Julieta".
Em termos cinematográficos, a Dúvida não foi surpresa nenhuma uma vez que já tinha assistido à peça homónima: uma história inquietante, fabulosa e ideal para quem tenha dúvidas e uma boa maneira de conhecer a dúvida para quem tenha certezas... Os actores são sublimes e a prova disso está nas quatro nomeações aos Óscares da Academia: Meryl Streep (actriz principal), Philip Seymour Hoffman (actor secundário), Amy Adams e Viola Davis (actrizes secundárias).
Rachel getting married prima pela interpretação de Anne Hathaway no papel de Kym, a ovelha negra da família que sai da clinica de desintoxicação para ir ao casamento de Rachel, a sua irmã ajuizada e certinha. Um filme estranho e fatalmente esquizofrénico.
Happy-Go-Lucky tem um trailer que promete muito, mas o filme é uma autêntica desilusão. Bocejante...

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

Rescaldo dos Óscares


A 81ª cerimónia dos Óscares chegou ao fim à poucos minutos. Directamente do Kodak Theatre (Los Angeles), assisti a um espectáculo diferente do habitual com o glamour de sempre, mais dinâmico, mais divertido, sem tempos mortos. Hugh Jackman cumpriu na perfeição a sua função de anfitrião da noite.
Slumdog Millionaire foi o grande vencedor com oito estatuetas, incluindo as de melhor realizador (Danny Boyle), filme e argumento adaptado. Sean Penn e Kate Winslet foram distinguidos pelas personagens principais de Milk e The Reader, respectivamente. Quanto à nomeação póstuma de Heath Ledger (Melhor Actor Secundário), confirmou-se o óbvio e o Óscar foi mais do que merecido com a subida da família ao palco para o agradecimento, que emocionou a audiência. Penélope Cruz foi premiada pela tresloucada Maria Elena de Vicky Cristina Barcelona.
O grande derrotado da noite foi "O Estranho Caso de Benjamin Button", nomeado para treze categorias e vencedor apenas em três categorias técnicas: Efeitos Visuais, Direcção Artística e Caracterização. Wall E foi o melhor filme de animação e Jerry Lewis protagonizou um dos discursos mais curtos pelo Óscar da Carreira 2009.
As surpresas foram poucas ou nenhumas no que toca a vencedores. De salientar, o rejuvenescimento da cerimónia em si, tornando-se um verdadeiro espectáculo de televisão e entretenimento. Uma homenagem ao cinema com toda a pompa e circunstância que a sétima arte merece...

PS- Time to zzzz que a noite já vai longa...

sábado, fevereiro 14, 2009

Slumdog


... tem tudo para ser o filme do ano. Uma história simples com um argumento fabuloso, contada visualmente de uma forma espectacular numa sequência de imagens apelativas, que se entrenham na pele. As cores, a banda sonora e os sorrisos daquelas crianças não se esquecem tão depressa.
O retrato de um mundo cruelmente realista. Uma viagem à Índia profunda, uma visita guiada pelos subúrbios de Mumbai na companhia de Jamal Malik, um orfão de 18 anos, concorrente e candidato ao prémio máximo - vinte milhões de rupias - da versão indiana do concurso "Quem quer ser milionário". Cada uma das perguntas faz com que Jamal recorde um determinado episódio da sua vida desde a infância nas lixeiras em busca da sobrevivência até à pergunta final de qual é o terceiro mosqueteiro.
Uma fábula moderna que assenta na crença inabalável de que, por mais negra que seja a realidade, há sempre uma luz ao fundo do túnel, que torna os sonhos possíveis para quem não desistir de lutar por eles. Fabuloso... and the Oscar goes to...

terça-feira, fevereiro 10, 2009

MILK


... dá a conhecer a trajectória de Harvey Milk - o primeiro homossexual a ser eleito para um cargo público nos Estados Unidos dos anos 70 -, que lutou pelos seus direitos e pagou com a sua própria vida ao ser assassinado, juntamente com George Mascone (presidente da câmara de São Francisco) por alguém ressabiado, com receio de sair do armário. Mais do que um filme sobre os direitos da comunidade gay de São Francisco, onde se desenrola a acção, dos Estados Unidos ou do mundo, assistimos a uma luta contra o preconceito e a favor dos direitos humanos numa sociedade em que a premissa "todos diferentes, todos iguais" faz todo o sentido.
Sean Penn brinda-nos com uma interpretação majestosa de alguém que fez história, a sua coragem mudou vivências e moveu multidões. É notável o recurso às imagens da época, testemunhas vivas da realidade. A intolerância pôs fim à carreira ímpar de Harvey Milk aos 48 anos, acabando por não chegar aos 50, tal como refere num dos diálogos iniciais. Ironia do destino... ou não. O certo e sabido é que a batalha para a igualdade perdeu um grande líder.
Uma autêntica lição de vida que nos ensina a não deixar morrer a esperança, que nos fará lutar até ao fim por aquilo em que acreditamos... Vale a pena pensar nisto!

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

No escurinho do cinema...

... viajei até à Inglaterra aristocrática do século XVIII e convivi com uma família dos anos 50 nos Estados Unidos da América. Tudo isto no mesmo dia... uma maravilha proporcionada pela sétima arte.


Keira Knightley brinda-nos com uma personificação de Georgiana Spencer (1757-1806), Duquesa de Devonshire, que era idolatrada pelo povo e indiferente apenas para o seu marido - o Duque de Devonshire (Ralph Fiennes) -, bela e carismática, com gostos extravagantes e apetites por jogos, tornou-se um ícone da moda, uma mãe devota e uma astuta figura política. O sorriso aos demais era a sua imagem de marca, um escape, para esconder a tristeza e solidão que lhe ia na alma devido ao casamento com um homem distante, adúltero, frio, possessivo e egoísta, que queria apenas um filho varão. É notório o paralelismo com Diana Spencer (1961-1997), a Princesa de Gales e do povo, integrando a mesma linhagem familiar.
Um filme que espelha a mentalidade leviana da época: o marido podia cohabitar com duas mulheres na mesma casa, sem qualquer problema. Já Georgiana foi impedida de ser feliz ao lado do amor da sua vida, Charles Grey, em prol da moral dos bons costumes, vivendo uma vida de sofrimento e infelicidade.
Felizmente, tudo é diferente dois séculos depois...


... não tem nada de revolucionário, mas é um filme inquietante e neurótico q.b.. A realidade, nua e crua, de muitos casais que levam uma vida perfeita aos olhos da sociedade: casam, têm filhos e assentam, adiando os sonhos de outrora em prol da família. Escolhas que se fazem, pensando no plural e não no singular. As aparências iludem, a rotina instala-se e corrói o mais feliz dos matrimónios. A vida resume-se a um emprego - das 9h às 5h - que abominamos, os objectivos (leia-se sonhos) deixaram de existir e as discussões estalam a toda hora porque a felicidade deu lugar à inércia.
A acção tem lugar nos anos 50, mas saimos do cinema com a sensação de um dejà vu pertinente no nosso tempo. As interpretações de Leonardo DiCaprio e Kate Winslet são notáveis e demonstram que o Titanic (versão cinematográfica) foi ao fundo na década passada. Este drama intenso de Sam Mendes, baseado no aclamado romance de Richard Yates, já quase todos o viveram, vivem ou viverão ainda que com desfecho diferente. Mais uma vez, a sabedoria popular assenta que nem uma luva: quem vê caras não vê corações!

quarta-feira, janeiro 28, 2009

Vicky Cristina Barcelona

... parece, à primeira vista, um postal filmado a ilustrar a inesquecível cidade de Barcelona, mas a voz do narrador faz-nos perceber que é muito mais do que isso, descrevendo as personagens que pululam entre o mundo das artes e da boémia.
A primeira impressão é que a música do genérico se impregna no ouvido facilmente, mesmo no final do filme quando abandonamos a sala.
Woody Allen conta a história de duas jovens americanas de férias na cidade: Vicky (Rebecca Hall) é sensata, sabe perfeitamente o que quer de uma relação e está noiva de um respeitável jovem; e Cristina (Scarlett Johansson) é sexual e emocionalmente desinibida, sabe apenas o que não quer, sempre em busca de uma paixão arrebatadora. As melhores amigas do mundo têm atitudes completamente diferentes no que toca ao amor até que conhecem um pintor libertino , Juan António (Javier Bardem) - estereótipo do macho latino a transbordar sex appeal -, que as convida para passarem um fim-de-semana (erótico) em Oviedo, tornando-se um objecto de desejo para ambas. Mais tarde, Maria Elena (Penélope Cruz), a ex-mulher do pintor, aparece para apimentar a trama com o seu papel de louca, sem rumo na vida, sempre com os nervos à flor da pele e capaz de tudo por amor... até mesmo matar.
Os dados estão lançados... as relações sempre complicadas entre os homens e as mulheres, contadas de forma divertida e com alguma ironia, num novo cenário europeu. Parece que Allen se rendeu à Europa, que tão bem o compreende, personificando o ideal de relação masculino: o mítico ménage à trois com uma loira, outra morena e o irresistível macho latino.
Na última cena, o realizador abandona Vicky e Cristina, tristes e conformadas, no aeroporto, de regresso a casa. Eis a moral da história: tudo acaba como começou, ficando a recordação de um Verão fugaz em Barcelona.
Enganem-se aqueles que esperam uma espécie de Match Point com algum salero, Vicky Cristina Barcelona fica aquém destas expectativas, mas tem outros encantos recônditos à semelhança da cidade que lhe serve de cenário. Um brinde à vida como uma derradeira obra de arte. Txim txim...


Citação:

"Maria Elena used to say that only unfulfilled love can be romantic" by Juan António

terça-feira, janeiro 20, 2009

O Estranho Caso de Benjamin Button


... é um filme que terá presença obrigatória na cerimónia dos Óscares deste ano, merecendo-a a todos os níveis. Uma história bonita e pitoresca sobre um homem, Benjamin Button (Brad Pitt), com um destino curioso: nasce com oitenta anos e vai regredindo na idade, sem conseguir, como qualquer outra pessoa, parar o tempo.
O que importa não é o tempo que se vive, mas aquilo que faz durante esse tempo, e essa moral passa lindamente para fora do ecrã. Os sentimentos deste personagem passam pelas confidências que partilha com o espectador ao longo de (quase) três horas. São as memórias de um diário de rejuvenescimento, o relato de imagens e das pessoas que vai conhecendo ao longo da vida - desde 1918 até à actualidade -, no que é também uma obra sobre os desígnios da idade. E aquilo que consegue sobreviver à passagem do tempo.
Brad Pitt e Cate Blanchett destacam-se pelas interpretações sublimes, impecáveis nas expressões faciais e no carisma natural, respectivamente. O trabalho de caracterização é louvável.
Uma das lições que podemos tirar de Benjamin Button é o quanto devemos saborear cada bom momento que temos na nossa vida. Aliás, o inexorável tempo é a questão central do filme, personificado no belo relógio cujos ponteiros andam em sentido contrário, feito por um pai desolado que gostaria de voltar no tempo e reaver o seu filho. Todos temos escolhas e o livre-arbítrio é uma das maiores armas de qualquer ser humano, pois viver em arrependimento é terrível e desnecessário; e esperar alguma coisa acontecer não leva ninguém a lugar algum. Muito pelo contrário.
O filme é detentor de um final espectacular e bastante emotivo. Imperdível.


As frases:

-We’re meant to lose the people we love. How else would we know how important they are to us?

(...)

- Our lives are defined by opportunities, even the ones we miss.

terça-feira, janeiro 13, 2009

Ontem...

... foi um dia especial, por ser meu, com a entrada numa nova idade... 28 é um número mágico e inspira confiança. A dois passos da terceira década, os motivos são mais que muitos para celebrar, intensa e loucamente, a "viagem" que me trouxe até aqui.
Lá fora, o sol brilhava e Lisboa estava mais bonita do que nunca, envergando aquela luminosidade tão característica e única no mundo. A ocasião exigia uma comemoração com tudo a que tenho direito: coisas boas da vida e doces momentos, partilhados com aqueles que - tão longe e tão perto - estão sempre lá, quando e onde preciso. As manifestações foram chegando através dos vários canais de comunicação e foi tão bom ser lembrada - nem que seja por uma vez no ano.

Miradouro de São Pedro de Alcântara

O dia começou com um belo pequeno-almoço na pastelaria de sempre e algumas peripécias ao pedir um leite macchiato. Digamos que a senhora ficou intrigada com o que seria um leite maquilhado (sim, leram bem!). Surreal... Realmente, o que chegou à mesa não tinha nada a ver com o habitual macchiato, digamos que era um copo de leite com umas gotas de café. A senhora voltou a insistir que tinha maquilhado o leite com café até que cortei o mal pela raiz: agarrei no menú e a eficiente empregada leu o que é, de facto, um leite macchiato. Não satisfeita... ainda se pôs a inventar, dizendo que podia juntar umas especiarias ao tal copo de leite com pitadas de café, mas acabou por levá-lo de volta para onde nunca devia ter saído. Eis que a senhora volta e informa que não dispõe de leite macchiato apenas no Verão. Estranho, uma bebida quente que só é vendida no Verão. Assim, fui forçada a render-me a um senhor galão...
Depois deste episódio caricato, esperava-me uma viagem de bem estar absoluto com embarque numa chocoterapia aqui. 90 minutos de delicioso prazer, um capricho dos deuses, que me deixou leve como uma pena, relaxídissima e de bem com a vida. A minha pele ficou com um aroma inesquecível a lembrar paragens distantes junto à linha que divide o mundo. Um mimo perfeito para chocoholics como eu.

A tarde passou-se Chiado acima, Chiado abaixo, e terminou à mesa com um delicioso fondue de chocolate na Häagen-Dazs. Palavras para quê, a imagem vale por mil palavras... De comer e chorar por mais. A repetir...

À noite, viajei até aos anos 20 no novo filme de Clint Eastwood, "A Troca", com Angelina Jolie, John Malkovich, entre outros. Uma história verídica que contraria o mítico final de "... e foram felizes para sempre".

Um dia especial... único... achocolato (lol), a repetir por muitos e muitos anos com muita saúde, alegria e amigos também.

PS- Muito obrigada a todos aqueles que se lembraram de mim... Vocês serão os próximos! :)

domingo, janeiro 04, 2009

Sem legendas


Mais uma matiné com um público mais velho e experiente que o próprio filme exigia e realmente vale a pena ver: Amália - o filme. Uma homenagem à diva do fado, que levou Portugal aos cantos do mundo, uma sedutora nata, com espírito rebelde e irreverente para a época. Um retrato da sua vida bastante conturbada, de altos e baixos, o que explica em parte o porquê daquele fado, de tanta tristeza e amargura, com uma família interesseira e um público que a amava.
As recordações da sua infância são uma constante: quando foi deixada com os avós, Amália (Sandra Barata Belo) cantava na rua e as pessoas pagavam para a ouvir cantar. Rejeitada pela família, é obrigada a casar pela primeira vez, descobrindo que é traída pelo primeiro marido, Francisco Cruz (José Fidalgo), e o seu segundo namorado Eduardo Pita Ricciardi (Ricardo Pereira), apaixonando-se por um homem que acaba por morrer, o banqueiro Ricardo Espírito Santo (António Pedro Cerdeira), o que deixa o seu caso amoroso envolto num secretismo. O resto da sua vida vive com um homem (Ricardo Carriço interpreta um brasileiro com um sotaque rídiculo) com quem não tinha qualquer relacionamento amoroso, vivendo em pontas separadas da casa.
Amália privou com altos senhores da aristocracia europeia, bem como com o próprio Salazar e foi a diva (in)compreendida portuguesa do século XX. Uma das grandes personalidades, que ostentou o coração português, levando o nosso país ao mundo e o mundo ao nosso país.
A película tem uma excelente qualidade fotográfica e a protagonista perfeita. Bravo! Se Amália fosse viva, diria certamente: obrigada...

“Todos pensam que Amália morreu em 1999… enganam-se”

sábado, janeiro 03, 2009

Madagáscar 2 - Escape to África

Eis o filme que inaugura a minha temporada cinematográfica de 2009. Confesso que não estava com grandes expectativas quando me sentei naquela sala de cinema, minada de putos selvagens - que faziam, alto e bom som, os mais diversos comentários -, nesta tarde de sábado chuvosa. No final, saio surpreendida pela positiva porque a sequela não está tão má como a pintam e a versão portuguesa não deixa de ter a sua magia.


A história é bastante engraçada e tem cenas bastante divertidas para crianças e adultos com piadas bem conseguidas, nitidamente direccionadas para um público menos jovem.
Esta sequela é a continuação da história anterior com todas as suas adoráveis personagens: Alex (o leão), Marty (a zebra), Glória (a hipopótamo), a hipocondríaca girafa Melman (na versão portuguesa interpretada brilhantemente por Bruno Nogueira), o Rei Juliano, o Maurício e os pinguins arranjam maneira de sair da ilha de Madagáscar através de um avião abandonado, que se despenha nas planícies do Quénia, onde encontram pela primeira vez animais da sua própria espécie. A descoberta das suas raízes faz com que se apercebam das diferenças entre a selva da cidade e o coração de África. Apesar dos parentes distantes, África parece ser um lugar bem esquisito.
Uma referência final para o hipopótamo Moto Moto (voz de Pacman na versão portuguesa), uma das novas personagens.

terça-feira, dezembro 23, 2008

ANTE-ESTREIA EXCLUSIVA


Valeu a pena ir ver in loco a película do australiano Baz Luhrmann, que tem como protagonistas Nicole Kidman e Hugh Jackman.
A história decorre a partir de 1939 e é contada por uma criança aborígene com o seu olhar inocente e deslumbrado de quem descobre o mundo para lá do seu cantinho. Kidman interpreta uma aristocrata inglesa que, após enviuvar, recebe de herança uma fazenda gigantesca e se vê na necessidade imperativa de atravessar uma imensa extensão de terra com 1500 cabeças de gado. Jackman (Drover) é um homem do mundo e é o único capaz de aceitar o desafio, liderando um conjunto de marginais de várias origens da sociedade australiana. No meio, há um garoto mestiço (o narrador da história) que o Estado quer resgatar ao seu habitat natural, e há a Segunda Guerra Mundial a chegar ao continente australiano - o bombardeio japonês assola Darwin pelas mesmas forças que meses antes atacaram Pearl Harbor.
Apesar do filme se dividir claramente ao meio, o tempo não se sente a passar e as imagens são deslumbrantes, mostrando a imensidão daquele continente lá longe que concentra tudo num só pedaço de terra.
Austrália é uma espécie de banquete cinematográfico - com romance, comédia, acção e drama - em que os espectadores são convidados, pelo espaço de três horas, a redescobrir a criança que há dentro de si e a vero cinema como se fosse a primeira vez.
Imperdível... esta viagem ao outro lado do mundo na companhia de Hugh Jackman.

domingo, dezembro 21, 2008

Mulheres


Um filme de e para mulheres com um elenco de luxo, onde homem não entra. Meg Ryan, Eva Mendes, Annette Bening são algumas das estrelas que dão corpo e alma às diversas peripécias do universo feminino, que nós tão bem conhecemos e nos identificamos...

terça-feira, novembro 18, 2008

Blindness


... ou "Ensaio sobre a Cegueira" é um filme chocante e violento... Uma alegoria à vida humana. Mesmo em momentos de catástrofe, o Homem é capaz do melhor e do pior.
Confesso que fiquei com alguma curiosidade de ler o livro que deu origem à película, realizada pelo notável Fernando Meirelles e interpretada por Julianne Moore, Mark Ruffalo, Gael Garcia Bernal, entre outros... Há sempre pormenores que escapam ao cinema.

quinta-feira, novembro 13, 2008

Dobradinha cinematográfica...

Em Bruges

Depois de ver o filme, fiquei com uma vontade enorme de partir rumo a esta cidade medieval, mais conhecida pela Veneza do Norte...



Bond... James Bond... ou melhor Craig, Daniel Craig... Desenganem-se aqueles que esperam um romance de James com a sua Bond girl porque o amor não está no ar nesta nova película do senhor 007. Quem vai à procura de acção, não sairá desiludido muito pelo contrário... Os primeiros 30 minutos são de perder o fôlego com uma perseguição desenfreada em verdadeiros bólides, que não chegam inteiros ao final... O resto do filme não reserva grandes surpresas além de um Daniel Craig, quase tão bom como Sir Sean Connery.

segunda-feira, outubro 27, 2008

PARIS


... é um filme mosaico por excelência. Depois de "A Residência Espanhola" e "As Bonecas Russas", Cédric Klapisch presta homenagem à cidade-luz, aos seus habitantes e à vida numa perspectiva optimista e açucarada da realidade.
A ideia de que a hora da morte poderá estar para breve assombra a vida de Pierre (Romain Duris), um dançarino do Moulin Rouge, que, de um momento para o outro, se vê bastante adoentado. O seu novo estado dar-lhe-á tempo para reflectir sobre a vida que tem levado até então, dando-lhe um outro olhar sobre tudo o que o rodeia. O filme reúne um misto de personagens - os agricultores, uma padeira, uma assistente social (Juliette Binoche), um arquitecto, um professor, uma modelo, um clandestino dos Camarões -. que desempenham diferentes funções, mas que têm algo em comum: viver em Paris. A vida de cada um não poderá ser vista como algo excepcional mas, para cada um deles, é única. Os seus problemas podem ser insignificantes,mas, para eles, são os mais importantes do mundo. O objectivo não é o particular mas sim dar uma visão geral do que se passa na cidade.
Esta fábula urbana resulta pelo conjunto e pela autenticidade das personagens, aliados ao ritmo dado ao filme, através da montagem e do som. Paris surge como a grande protagonista, um organismo em movimento. Não é a Paris idílica, recheada de amantes e paixões perfeitas. É a Paris real, poluída e altamente industrializada que, graças à excelente fotografia de Christophe Beaucar, exala romantismo, exibindo alguns dos seus ex-libris (a Basílica de Sacré-Coeur, o cemitério de Père Lachaise, a torre Eiffel ou o mercado de Rungis).


PS- Sai do cinema com uma vontade enorme de apanhar o próximo avião rumo a esta cidade... Um dia destes... quem sabe ;)

quinta-feira, outubro 09, 2008

Surreal

Irmãos Coen no seu melhor... e um Brad Pitt fora de série... ou melhor a sua personagem e penteado (o mais "pateta" que terá feito na sua vida!). Uma comédia quase absurda... de intrigas e chantagens... com um elenco de estrelas absolutas - Brad Pitt, George Clooney, John Malkovitch ou Frances McDomand. Humor negro no seu expoente máximo... Burn after reading!